Quem somos

Somos um grupo de cientistas cognitivos que usa métodos de investigação fundamentados em computação cognitiva e inteligência sintética, com o objetivo de compreender o funcionamento da mente – focalizando a aprendizagem e transtornos mentais -, a sociedade e a formação da cultura – que consideramos uma inteligência extra-cerebral coletiva. Dentre os métodos que usamos, estão a Lógica Neural (redes neurais profundas / deep learning) e o que denominamos de Inteligência Artificial Reversa. Neste caso, enquanto os especialistas estudam IA para ampliar a tecnologia em computação cognitiva, usando dados da neurociência e psicologia cognitiva, nós fazemos o caminho reverso, isto é, estudamos a teoria e métodos da IA para compreender o campo lógico da mente, sociedade, mídias sociais, cultura e psiquiatria.

O termo “inteligência artificial” (IA) nunca teve fronteiras claras. Quando foi introduzido em um workshop em 1956 no Dartmouth College, ele foi interpretado amplamente, e em particular para significar uma máquina que se comporta de um modo que seria chamado de “inteligente” por uma pessoa. Os avanços recentes na IA – da aprendizagem de máquinas, que aparece em tecnologias de correção ortográfica, aos automóveis autodirigidos -,  muitas vezes é realizado por arquiteturas computacionais chamadas de “redes neurais profundas”. A IA tornou-se um campo de conhecimento tão amplo que acabou superando sua ciência de origem, a Cibernética, mas conservou o método e a linguagem desta como uma ciência do modelo e da lógica.

Qualquer discussão sobre a AI incluirá também outros conhecimentos, isto porque a IA é hoje um campo interdisciplinar que envolve a neurociência, psicologia cognitiva, computação, filosofia, matemática, sociologia. Por que não usa-la para desenvolver modelos e métodos em psicologia, psiquiatria, antropologia e sociologia? Em especial, a psiquiatria, um campo que se tornou ateórico por força das classificações impositivas?

A psiquiatria nos interessa particularmente, não apenas por formação como também pelo desafio científico que representa. Esse campo da medicina é o menos desenvolvido em relação aos demais por não ter uma fundamentação científica efetiva. Assim, fica a mercê de manipulações ideológicas e de teorias subjetivistas como a fenomenologia, a psicanálise e outras próteses metafísicas que dissociam a psiquiatria da sua estrutura kraepeliniana. O fato de não se ter encontrada uma causa biológica positiva para a esquizofrenia, o autismo, o transtorno bipolar e alguns outros importantes transtornos, não se deve à inexistência de uma causa real. Ausência de prova não é prova de ausência. Até a década de 1940 a ciência não tinha descoberto uma causa específica para os transtornos mentais – como no caso dos outros campos da medicina. Com o surgimento da teoria da informação e da computabilidade das redes neurais por essa época, descobriu-se um novo princípio causal na natureza: a informação. “Informação não é matéria e nem energia, é informação (Wiener, 1948), o terceiro fundamento do universo.  Alterações do processamento, volume e distribuição da informação nas redes cerebrais podem ser causas de transtornos mentais, e esse paradigma só abordável dentro da nossa filosofia científica.

Eis porque nosso método de investigação e filosofia é um amálgama teórico de ciência cognitiva, lógica e IA. Aliás, chamamos a isso Neurofilosofia.