Quem somos

A psiquiatria nos interessa particularmente, não apenas por nossa formação como também pelo desafio científico que representa. Esse campo é o mais complexo da medicina, e também o mais vulnerável a manipulações ideológicas e ao enxerto de próteses metafísicas. A psiquiatria tornou-se um campo ateórico dominado por classificações impositivas que ocuparam o vazio etiológico desse ramo da medicina, em contradição com a noção de causalidade que norteia e impulsiona os demais campos médicos. Mas o fato de não se ter encontrado uma causa biológica positiva para a esquizofrenia, o autismo, o transtorno bipolar e outros importantes transtornos, não se deve à inexistência de uma causa real. Ausência de prova não é prova de ausência. Na década de 1940 descobriu-se o terceiro fundamento do universo, ao lado da matéria e energia: a informação. “Informação não é matéria e nem energia, é informação” (Wiener, 1948), ela pode ser mensurada e processada (computação), e alterações no seu curso, tráfego e distribuição na trama cerebral podem levar a um transtorno mental (redes neurais computam informação). Isso colocou a psiquiatria na ordem do real, impermeabilizando-a da infiltração de teorias especulativas e idealistas. O transtorno mental – da ansiedade à esquizofrenia – não é necessariamente causado por uma alteração molecular dosável em laboratório ou traçável num pet-scan, mas por informação, e esta não é uma estrutura, é um processo; não é um produto, mas um efeito. Adentramos na psiquiatria do século XXI através da ciência da informação e seus meios de comunicação, no cérebro e no mundo.